07/09/2026 - Boletim Nº 1/2026 - NO CAMINHO DA INDEPENDÊNCIA: COMO ERA PRAIA GRANDE NO CONTEXTO PRÉ-GRITO DO IPIRANGA? - Por Matheus Almeida Molizani Miranda





 

Boletim N° 1/2026 

NO CAMINHO DA INDEPENDÊNCIA: COMO ERA PRAIA GRANDE NO CONTEXTO PRÉ-GRITO DO IPIRANGA? 

Autor: Matheus Almeida Molizani Miranda - Membro Efetivo

  Praia Grande, 07 de setembro de 2026. 


   Para começar a responder à questão central oferecida neste artigo, é preciso saber que, muito antes de se transformar em uma das cidades turísticas mais marcantes do Brasil, a faixa de terra que hoje compreende o município de Praia Grande desempenhou um papel estratégico silencioso, mas vital, no período colonial brasileiro. Integrada à Vila de São Vicente, a região funcionou como uma engrenagem essencial de abastecimento e defesa para a Capitania de São Vicente.


Sesmarias de São Vicente: A Força dos Sítios e Fazendas 

   Se o núcleo urbano da Vila de São Vicente concentrava o poder político e administrativo, as terras da Área Continental e de Praia Grande representavam a produção e a subsistência. Durante o século XVI até meados do século XX, o território foi ocupado por sesmarias, sítios e fazendas que garantiam o abastecimento de charque e gêneros alimentícios à população local.

   A produção agrícola local e a criação de animais garantiam que a primeira vila da colônia não ficasse desabastecida. Além disso, a extração de recursos naturais e a pesca na região do Portinho e no Mar Pequeno sustentavam as primeiras famílias de povoadores.



                                              Mapa parte do Atlas do Brasil de 1640, de João Teixeira Albernaz.

Trecho do litoral da antiga Capitania de São Vicente, de Cananeia até Barra de Bertioga. (Extraído do site www.sp-turismo.com)

 



Rota de Passagem e Comunicação 

   A vasta extensão de praia, que inclusive mais tarde daria nome à cidade, não era apenas um acidente geográfico, mas uma via natural de comunicação. Os colonizadores, jesuítas e militares (tropas regulares, milícias e ordenanças) utilizavam a faixa de areia para o deslocamento entre o sul da capitania e o centro administrativo. O território funcionava como uma zona de trânsito e integração indispensável em uma época em que abrir caminhos pela Mata Atlântica era uma tarefa árdua e arriscada.


 A baixada santista, na Capitania de São Vicente (1624) de Joris Van Spielbergen. (Extraído do ficheiro - File:SP 03b.jpg - Wikipédia)



Defesa militar da barra de São Vicente

   Embora a fortificação militar atual da Fortaleza de Itaipu tenha sido projetada e construída séculos depois (no início do século XX), a área do Xixová-Japuí já era desde o período colonial um ponto estratégico crucial para a observação e a defesa da entrada da barra de São Vicente. A geografia do local servia como sentinela natural contra invasões de corsários e piratas que ameaçavam a costa brasileira. 

   Dessa forma, o contexto pré e pós-independência do Brasil em Praia Grande foi marcado pelo trabalho da terra e pela posição geográfica privilegiada, que mais tarde seria um dos fatores que estariam ligados à sua emancipação em 1967. Sem o suporte agrícola e a segurança territorial oferecidos por essa área, a consolidação da Vila de São Vicente teria enfrentado obstáculos muito maiores.





Referências e fontes: 

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:SP_03b.jpg 

https://fortalezas.no.comunidades.net/sao-vicente 

http://www.sp-turismo.com/sao-vicente/albernaz.htm https://www.youtube.com/watch?v=haGUExi0Sjk&t=147s 

Trechos do Capítulo 2 – “Os engenhos e os sítios” - da Revista Acadêmica Mare Nostrum, Volume I, 2025, IHGPG.











 






Postar um comentário

0 Comentários