Nem todo mundo sabe, mas a famosa estátua de Netuno, na Cidade Ocian, já foi protagonista de uma verdadeira novela — e até inspirou versos!
Em junho de 1979, a pesquisadora e professora Graziella Diaz Sterque, fundadora da Associação Centro de Estudos Amazônicos de Praia Grande (ACEAM), registrou no Informativo Cultural a divertida polêmica sobre a lavagem do Netuno, obra esculpida em 1956 pelo prof. Alberto Bernine.
Segundo a matéria, o debate sobre quem daria o “banho” no deus dos mares mobilizou até o prefeito da época, a Sociedade Amigos da Cidade Ocian e o poeta José Florindo, que transformou o episódio em sátira rimada.
I
Tem estátua na Ocian,
Um Rei que não é dos Unos,
É sim, o senhor do mar,
O grande astro Netuno.
II
É um busto gigante
Material de primeira.
Mas está repudiante,
Tomado pela sujeira.
III
Desde que foi esculpido
O clone do Rei malvado,
Apesar de ser despido,
Ainda não foi lavado.
IV
Não é soldado nem tenente,
Não tem mosquetão nem sabre,
Tem coroa e tridente,
Tomados de azinhavre.
V
A Sociedade local
Que é de melhoramentos,
Programou banho total,
Para limpar o monumento.
VI
Um trabalho importante
Que não foi realizado,
E Netuno continua,
Sem brilho, azinhavrado
VII
A política entrou no páreo,
Atrapalhou o serviço,
Sociedade do Bairro,
Esqueceu o compromisso.
VIII
Diz a lenda que Netuno,
Não gosta da humanidade.
Certamente vai atacar,
Os membros da Sociedade.
IX
A efígie é genial
O trabalho tem de ser feito
Mas quem lava, afinal?
O Sebastião ou o prefeito?
Hoje, reproduzimos essa pérola do passado como uma homenagem à memória cultural de Praia Grande — e àqueles que, com humor e dedicação, ajudaram a contar a história da nossa cidade.
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